Sobre Flores e Bombons

Às vezes me acho a ”diferentona”. A como às vezes falo, a do contra. Às vezes acho que somente eu é que não vejo sentido em dar e receber os parabéns no dia internacional da mulher.
Às vezes acho que somente eu é que não tenho paciência para as inúmeras e iguais mensagens compartilhadas nas redes sociais.
Não faço questões de flores e bombons e nem de abraços. Adoro abraços, mas não por esse dia.
Não sou enfeite, não sou frágil e não é o meu aniversário.
Não entendo quando algumas mulheres se chateiam quando não são lembradas e presenteadas nesse dia, mas não falam nada para tudo o que passam e sofrem ao longo do ano.
São as primeiras a acordarem, bem antes que todos. Preparam café, almoço. Meninos, marido e só depois se ajeitam e vão ao trabalho. Recebem até menos que os colegas do sexo masculino. Voltam para sua casa, preparam jantar. Arrumam cozinha. São as últimas a se deitarem. Passam seus fins de semana faxinando, lavando roupa. Cuidando de todos os afazeres que não têm tempo durante a semana. É jornada dupla, tripla… É o trabalho sem fim.
Sofrem opressão. Algumas agressões. Injustiças, cobranças, machismo, julgamentos.
Se gostam de maquiagem, não podem exagerar. Se não usam é sem vaidade.
Se usam roupas longas é a freira, a irmã.
Se gostam do decote, não se dão ao respeito.
Mas tudo bem. Dia 08/03 o seu dia, recebe flores e bombons, algumas músicas em sua homenagem e se calam em um abraço.
Adriana Freitas
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