Qual É O Seu Número?


Desde que nos entendemos por gente aprendemos a conviver com números. Sou a segunda filha de um número de quatro. Na chamada da escola, geralmente, era número um pelo meu nome começar com A.
Por outro lado, nunca fui a primeira de sala, os campeonatos que ganhei jogando pela escola não foram mérito meu. Era a segunda goleira do time de handebol, apesar de ser boa de agarrar 7 metros (o pênalti do handebol).
A vida vai nos ensinando, talvez obrigando, não sei dizer, só sei que aprendemos a conviver com números. Nunca fui boa de matemática. Dos anos de escola pressionando a cabeça tentando aprender essa ciência, o que ficou foram as quatro operações matemáticas. Foi o que levei para vida.
Mas vamos lá. Para que decorar tantos números, se muitas vezes, não poucas o que importa é ser o número 1. Desde crianças, aprendemos brincando de quem chegar primeiro ganha. Ganhar o que? E pra que?
Na adolescência estudei em um colégio do Recife que colocava o ranking dos alunos nas paredes das salas. As suas posições eram de acordo com as notas tiradas nas avaliações. Não me lembro a minha posição. Acho que era o número 33. Pra mim tudo bem. A escola era muito grande. Tinha muitas salas e ser a número 33 não era nada mal. Até hoje não sei quem foi o número 1 da escola.
No vestibular também tive outra experiência com rankings e números. No simulado do cursinho fiquei muito feliz pelo meu quinto lugar. Senti-me inteligente. Apesar de sempre acreditar que inteligência não se mede por avaliações.
Já para a tão sonhada entrada para na Universidade o meu ranking caiu. Primeira fase fiquei no décimo lugar, segunda fase vigésimo sétimo. Eram apenas 30 vagas. 178 inscritos. Vigésimo até que não era tão ruim assim.
Ao menos fui a primeira da minha turma a se formar. Olha aí saindo em primeiro em alguma coisa. Não que isso tenha feito alguma diferença na minha vida. Não consegui emprego que tanto queria logo por causa disso e nem fui laureada. Fato este que colegas meus acharam injusto e até me incentivaram a entrar em questão. Não quis. Achei melhor não.
Adriana Freitas
A reprodução do texto está autorizada, desde que a fonte/autoria seja citada.

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