Depressão


Não é a dor que machuca o peito. É o medo. O desconhecido. A falta de motivos. A falta de explicações. O não saber da onde vem a angústia. E ela fica e você sente e luta. Sente e tenta não se abater.
O coração aperta e acelera. O ar lhe falta e você nem sabe o motivo. Medo do futuro. Medo das supostas perdas. Medo de notícias ruins. Medo, medo, medo. Ele te persegue e te entristece. As vontades se perdem. Já não se sabe o que desejar. Já não se consegue enxergar além.
São tantas angústias. Tantos questionamentos. Tudo indefinido. Não se vê com clareza. Não se racionaliza. Não se enxerga objetivamente. E assim se segue na luta. E por mais que se tenha ajuda, é uma luta solitária. É uma luta incompreendida.
As pessoas, em seu egoísmo ou ignorância, não percebem ou não entendem os seus conflitos e acabam levando para o lado pessoal. É como se a introspecção estivesse diretamente relacionada a elas.
Às vezes é só reação. Mas elas não entendem. E se já não bastasse os conflitos internos, ainda há a preocupação em não magoar. Quando, na verdade, o que se quer é socorro. Quando se precisa de compreensão.
Não há redenção. A luta é diária e se vai até o fim. Aprendendo a conviver com os sentimentos. Tentando não se importar tanto. Diminuir o peso. Descarregar os ombros e o peito. É só mais uma fase. Mais uma tempestade. E, como tudo na vida, isso também passa.
Adriana Freitas
A reprodução do texto está autorizada desde que a fonte/autoria seja citada.

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